Novembro Azul: a saúde do homem vai muito além da próstata

Por Cuida Saúde3 de novembro de 20266 min de leitura de leitura
Novembro Azul: a saúde do homem vai muito além da próstata

Os homens vivem, em média, cerca de sete anos a menos que as mulheres no Brasil e procuram menos os serviços de saúde. Muitos só vão ao médico quando a dor aperta, levados pela companheira, pela mãe ou pelos filhos. Com isso, problemas que poderiam ser tratados cedo, como pressão alta, diabetes e alguns tipos de câncer, são descobertos tarde.

O Novembro Azul nasceu para falar de câncer de próstata, e esse assunto continua importante. Mas a saúde do homem vai muito além disso. Inclui o coração, o peso, o consumo de álcool, a saúde bucal e a saúde mental, um tema que ainda é tabu entre eles. Este guia reúne o que todo homem precisa saber para cuidar de si o ano inteiro.

Por que os homens se cuidam menos

Parte da explicação é cultural. Muitos homens cresceram ouvindo que precisam ser fortes, aguentar a dor calados e resolver tudo sozinhos. Ir ao médico sem sintomas parece perda de tempo, e admitir cansaço, tristeza ou medo parece fraqueza. Some a isso jornadas longas de trabalho, dificuldade para faltar e horários de atendimento que coincidem com o expediente.

O resultado aparece nas estatísticas e nas famílias. Cuidar da saúde é também uma forma de cuidar de quem depende de você.

Câncer de próstata

A próstata é uma glândula do tamanho aproximado de uma noz, que fica abaixo da bexiga e ajuda a produzir o sêmen. O câncer de próstata é o segundo tipo de câncer mais comum entre os homens brasileiros, atrás apenas do câncer de pele não melanoma. O INCA estima cerca de 77.920 casos novos por ano no país entre 2026 e 2028. Quando descoberto no início, as chances de cura passam de 90%.

  • Fatores de risco: idade acima de 50 anos, histórico de câncer de próstata em pai ou irmão, homens negros e excesso de peso
  • Sinais: na fase inicial, geralmente não há sintomas. Em fases mais avançadas, podem surgir dificuldade ou dor ao urinar, jato fraco, vontade frequente de urinar à noite e sangue na urina

Esses sintomas urinários também são comuns no aumento benigno da próstata, que não é câncer e aparece com a idade. Só a avaliação médica diferencia um do outro.

Quando conversar com o urologista?

A Sociedade Brasileira de Urologia recomenda que homens a partir dos 50 anos, ou a partir dos 45 se tiverem fatores de risco, conversem com o urologista sobre os exames de PSA e toque retal. O PSA é um exame de sangue. O toque retal é um exame rápido feito no consultório, em que o médico avalia o tamanho e a consistência da próstata.

O Ministério da Saúde e o INCA, por sua vez, não recomendam o rastreamento populacional, ou seja, chamar todos os homens sem sintomas para fazer esses exames de rotina. O argumento é que os estudos mostram aumento de diagnósticos sem redução importante das mortes, além de riscos como biópsias desnecessárias e o tratamento de tumores que nunca causariam problema. Esse tratamento pode deixar sequelas, como incontinência urinária e disfunção erétil.

As duas visões concordam em um ponto: a decisão sobre fazer os exames deve ser compartilhada entre paciente e médico, considerando benefícios, riscos e o seu histórico. E quem tem sintomas urinários deve procurar avaliação em qualquer idade.

O exame de toque dura poucos segundos. O preconceito pode custar anos de vida.

Check-up masculino

Uma consulta de rotina com o clínico geral é a porta de entrada. Ele avalia o que precisa ser checado conforme a sua idade e o seu histórico:

  • Pressão arterial, glicemia e colesterol: pressão alta, diabetes e colesterol alto costumam não dar sintomas e estão por trás do infarto e do AVC
  • Peso e circunferência abdominal: a gordura acumulada na barriga está ligada a doenças do coração e ao diabetes
  • Saúde bucal e da pele, com atenção ao protetor solar para quem trabalha ao ar livre
  • Vacinas em dia: leve a caderneta ou consulte a sua situação na Unidade Básica de Saúde
  • Consumo de álcool e cigarro: falar a verdade sobre esses hábitos ajuda o médico a orientar melhor

Saúde mental também é saúde do homem

No Brasil, os homens morrem por suicídio quase quatro vezes mais que as mulheres. Muitos crescem ouvindo que “homem não chora” e demoram a pedir ajuda. Irritabilidade, uso excessivo de álcool, isolamento e excesso de trabalho podem ser formas de a depressão aparecer nos homens.

Outros sinais merecem atenção: perda de interesse pelo que antes dava prazer, alterações no sono, cansaço constante, explosões de raiva e falas como “ninguém ia sentir minha falta”. Se você percebe isso em um amigo, pai ou irmão, puxe conversa, escute sem julgar e incentive a busca por ajuda.

Fazer terapia é cuidar da saúde, assim como ir ao urologista. Se você ou alguém próximo estiver em sofrimento intenso, ligue para o CVV no 188. A ligação é gratuita e o atendimento funciona 24 horas.

Quando a cerveja do fim de semana vira problema

O álcool faz parte do churrasco, do futebol e do happy hour, e por isso o exagero passa despercebido. Alguns sinais indicam que vale conversar com um profissional: precisar beber para relaxar ou dormir, beber mais do que tinha planejado, ouvir reclamações da família, faltar a compromissos por causa da bebida ou sentir culpa depois. O álcool também piora a pressão, o sono, o fígado e a depressão. Psicólogos e psiquiatras ajudam a mudar essa relação, e no SUS os CAPS AD, voltados para álcool e outras drogas, oferecem atendimento gratuito.

Como dar o primeiro passo

  • Marque uma data fixa: use o seu aniversário ou o próprio Novembro Azul como lembrete anual para o check-up
  • Anote as dúvidas: leve uma lista com sintomas, remédios que usa e casos de doenças na família
  • Aproveite o online: consultas por vídeo facilitam a primeira conversa e o retorno com resultados de exames, sem faltar ao trabalho
  • Vá acompanhado, se ajudar: um amigo ou familiar pode tornar a primeira consulta mais tranquila

Quem procurar

O clínico geral faz o check-up e coordena o cuidado. O urologista avalia a próstata, os sintomas urinários e a saúde sexual. O cardiologista cuida da pressão e do coração. O psicólogo e o psiquiatra ajudam quando há estresse, ansiedade, depressão ou abuso de álcool.

Perguntas frequentes

Com que idade o homem deve fazer exame de próstata?

A Sociedade Brasileira de Urologia orienta conversar com o urologista a partir dos 50 anos, ou dos 45 para quem tem fatores de risco. A decisão sobre os exames é tomada junto com o médico.

O exame de toque retal dói?

Em geral, causa apenas um leve desconforto e dura poucos segundos. É feito no consultório, sem necessidade de preparo.

PSA alto significa câncer?

Não necessariamente. O PSA pode subir por aumento benigno da próstata, inflamações e outras causas. O urologista interpreta o resultado e decide se é preciso investigar mais.

Câncer de próstata tem sintomas?

Na fase inicial, geralmente não. Sintomas urinários costumam aparecer em fases mais avançadas ou por outras causas, e sempre merecem avaliação.

Homem pode fazer terapia online?

Pode. A terapia online é uma opção prática para quem tem pouco tempo ou se sente mais à vontade conversando de casa.

Agende seu cuidado

No Cuida Saúde você encontra urologistas, clínicos gerais, cardiologistas, psicólogos e psiquiatras verificados, com atendimento online ou presencial, para cuidar da saúde por inteiro. Aproveite o Novembro Azul e marque a sua consulta.


Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação de um profissional de saúde. Em caso de emergência, ligue 192 (SAMU).

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Fontes e Referências

  1. Instituto Nacional de Câncer (INCA) – Câncer de próstata
  2. Instituto Nacional de Câncer (INCA) – Estimativa 2026: Incidência de Câncer no Brasil (triênio 2026-2028), 2026
  3. Ministério da Saúde / INCA – Nota Técnica: recomendação pelo não rastreamento populacional do câncer de próstata, 2023
  4. Sociedade Brasileira de Urologia – Novembro Azul
  5. IBGE – Tábua Completa de Mortalidade
  6. Ministério da Saúde – Boletim Epidemiológico: Panorama dos suicídios e lesões autoprovocadas no Brasil, 2021
  7. Ministério da Saúde – Rede de Atenção Psicossocial (RAPS)